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10/03/2010 - 10:34:05
Título: Unidades de Saúde do RJ burocratizam ou não entregam camisinha aos usuários
Fonte: O Dia

Postos não fornecem camisinha

Maioria ainda exige que cidadão assista palestra para obter o produto, mesmo após secretário determinar livre acesso

POR CLARISSA MELLO

Rio - Um mês após O DIA ter denunciado, às vésperas do Carnaval, que os postos municipais de saúde não estavam distribuindo camisinhas aos cidadãos, a situação ainda não foi regularizada. Na segunda-feira, repórter foi a oito unidades básicas de saúde no Centro e nas zonas Sul, Oeste e Norte. Em quatro, não conseguiu os preservativos. A orientação era esperar até o fim do mês para assistir palestras e, somente depois, ter acesso ao preservativo. Num quinto posto, foi preciso aguardar cerca de duas horas em três filas diferentes até conseguir.

Dia 12 do mês passado, após a primeira denúncia publicada em O DIA, o secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann, enviou ofício a todas as unidades básicas de saúde determinando “a necessidade de facilitar o acesso da população aos preservativos”. Mas a orientação não foi seguida pela maioria dos postos até agora.

Somente em três das unidades visitadas desta vez a repórter obteve preservativos como determina Dohmann e recomenda o Ministério da Saúde: sem precisar apresentar documentos ou se consultar.

Um deles foi o Centro de Saúde João Barros Barreto, em Copacabana, visitado pelo secretário dia 12, um dia após a primeira matéria de O DIA ser publicada.

Na ocasião, Dohmann disse: “Fiquei surpreso e reforcei a recomendação de que a pessoa que for buscar preservativo tem que receber na hora.”

Sem fiscalização

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou ontem que “nas unidades onde a reportagem identificou problemas, a Gerência dos Programas de DST/Aids promoverá, obrigatoriamente, treinamento para os funcionários de todos os setores envolvidos na distribuição de camisinhas, desde a direção, até enfermagem e serviço social”. O orgão, porém, não explicou se fará (e como) fiscalização nas unidades não visitadas pelas repórteres de O DIA.

Correto seria colocar caixas com preservativo na recepção

Segundo a assessora de DST/Aids do Ministério da Saúde, Dulce Ferraz, alguns municípios adotaram a prática de colocar os preservativos em caixas nas portas das unidades. “A pessoa pega a quantidade que quiser, sem precisar pedir ou falar com ninguém. Isso é acesso livre. É preciso combater a questão cultural, a dificuldade de lidar com o sexo”, diz.

Ela reitera que acesso livre significa não ter que apresentar documentos, assistir palestras ou preencher cadastros. A quantidade de camisinhas também não pode ser definida. Cada pessoa deve pegar quantas achar que precisa. Nas poucas unidades visitadas por O DIA que deram os preservativos, o número foi limitado a 15 camisinhas. Só no posto Oswaldo Cruz, no Centro, foram dadas 27.

Passo a passo

Irajá

No Posto Alice Toledo Tibiriçá, a repórter foi orientada a voltar emabril para se inscrever num programa e assistir palestra. Quando já ia embora, médica, por iniciativa própria, entregou 15 camisinhas.

No Hospital Francisco da Silva Telles, funcionários disseram que há mais de um ano não entregam. Na primeira vez que O DIA foi ao local, médica liberou preservativos também por conta própria.

Penha

No Centro Municipal de Saúde José Paranhos Fontenelle era necessário voltar na segunda quinzena do mês e fazer cadastro. Ainda assim, não era garantido receber o produto, pois estaria emfalta desde outubro.

Tijuca

No Centro Municipal Heitor Beltrão, a repórter passou por três filas, preencheu cadastro e aguardou por duas horas até obter 15 preservativos.

Padre Miguel

No Posto de Assistência Médica Manoel Guilherme da Silveira Filho, a repórter deveria voltar à unidade no dia 26 para saber quando se inscrever no programa para receber. Depois, deveria assistir duas palestras. As camisinhas estariam em falta há duas semanas.

Bangu

No Waldyr Franco, após preencher cadastro, a repórter obteve 15 unidades.

Copacabana

No Centro de Saúde João Barros Barreto foram entregues 15 rapidamente. A unidade foi visitada por Dohmann há um mês. Na ocasião havia a exigência de se assistir palestas.

Centro

No PAM Oswaldo Cruz foram entregues 27. Há um mês, quando O DIA esteve lá, não havia distribuição.







       
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